EmpresÁrios adventistas apertam o cinto diante da recessÃo
Os bancos podem entrar em colapso e os proprietários de casas perderem suas propriedades, mas o pequeno empresário adventista Richard Stevenson declara que está orando mais do que entrando em pânico nestes dias.
"Eu já passei por tempos mais difíceis do que estes", o veterano maquinista aparentemente impertubável comenta a respeito de sua carreira de 25 anos na empresa baseada no Alabama, Machine Technology, Inc., onde ele e seis empregados fabricam peças de reposição para o governo.
Forçado a recorrer a algumas dispensas e a adaptar-se a contratos reduzidos ao longo dos meses passados, Stevenson admite que a recessão global está afetando os seus negócios. Mas diz que o tamanho menor de sua companhia, a expectativa dos altos e baixos da economia e sua fé são suficientes para convencê-lo de que mesmo não mantendo uma margem ideal de lucro, ele obterá o suficiente para sobreviver.
Há uma atitude semelhantemente esperançosa entre muitos outros empresários adventistas. Chamar isso de "otimismo cauteloso" pode até ser exagerado -- muitos se preocupam com que os efeitos plenos da recessão ainda não os atingiram. Mas alguns até comentam que estão tirando proveito do fechamento de companhias maiores.
Enquanto oficinas mecânicas na área de Sacramento, Califórnia fecham, Steve Sattelmayer diz que seus negócios estão "estáveis" na oficina que o seu pai abriu em 1961. O fato de que os bancos reduziram a concessão de crédito teve uma influência inesperada de estabilizar o negócio de Sattelmayer. "As pessoas estão consertando os carros que possuem, por não conseguirem empréstimos bancários para adquirir novos".
Viver com menos recursos muitas vezes também significa menor número de empregados. Como muitos outros pequenos negociantes, quando os empregados saem, em vez de contratar novos, Sattelmayer e seu pessoal trabalham mais horas para "fazer as coisas acontecerem".
Mesmo com reduções de pessoal, os empresários adventistas estão lutando em meio a uma economia que sai dos trilhos, mas sua fé permanece inabalável, dizem.
Mesmo muitos negócios tradicionalmente estáveis no campo médico não estão imunes à doença financeira. Kyong Duk Jeon, que possui uma clínica dentária na Coréia, tem experimentado um declínio de 40 por cento nos negócios. "Os pacientes apenas vêm para tratamentos de emergência", ele diz. O farmacêutico coreano Sun Ji Kim também dá conta de uma redução aguda nas vendas de medicamentos de balcão. Ambos os empresários têm recorrido a cortes de pessoal e suspensão de novas contratações.
"Eu ouço o noticiário e não vejo as coisas melhorando", declara o dono da lanchonete Scott Alvord. "Estou preocupado, mas sei que o Senhor está no controle". Scott e sua esposa Karen possuem uma lanchonete que abriram no centro de Roseville, Califórnia, em 2005. "Ainda não temos lucro", declara Alvord, acrescentando que seus fundos de reserva é que os estão mantendo. "Nossos bolsos estão vazios", comentam.
Em vista de que a maioria dos restaurantes obtêm maior renda às sexta-feiras e sábados à noite--horas durante as quais os adventistas não realizam negócios -- Alvord diz que ser dono de um restaurante adventista é difícil, haja recessão ou não.
Para obter algum rendimento extra ele mantém um segundo negócio, de desenvolvimento de Websites e software por encomenda. "Isso é o que estou fazendo provavelmente entre meia noite e três da manhã", conta ele.
O banqueiro de investimento com base na Flórida, Devon Hines, também se vira com duas atividades para manter-se à tona. Hines iniciou uma empresa de consultoria, Pulse Service Solutions, em 2001, mas declara que as companhias dificilmente recorrem a serviços como os dele dado o clima econômico atual. "Eles não perguntam, 'como posso fazer o meu produto ter melhor aparência?' ou 'Como posso expandir?' Estão pensando somente em termos de sobrevivência".
A oferta de serviços relevantes para uma recessão, como redução de pessoal e otimização de recursos,tem-no ajudado a adaptar-se às necessidades de empresários afetados pela redução econômica, mas Hines diz que está mais otimista quanto ao futuro de seu segundo negócio, Dah Music Linx, que faz o elo de ligação entre músicos e artistas com planejadores de eventos e frequentadores de concertos.
As pessoas tendem a recorrer mais a seu lado espiritual durante tempos difíceis, observou Hines. Isso significa até que os fregueses mais frugais "gastarão 10 dólares para ir a um concerto inspirador de vez em quando", declara. "É quase como um remédio para a depressão e tensão causadas pela economia".
Contudo, Jacob John, que possui um estúdio de música na Índia, declara que a demanda por gravações da parte de lojas de discos tem se reduzido brutalmente, pois menos pessoas estão adquirindo música. Mas mesmo com os negócios numa "paralização", John declara crer que Deus "nunca falha", um pensamento que sente ser fortalecedor de sua fé.
A experiente corretora de hipotecas, Danielle Tyler-Pires, concorda que um cerne espiritual vigoroso pode alimentar uma atividade de negócios durante turbulências financeiras. "Tenho clientes que vêm apenas pedir que eu ore por eles", diz ela. Essas consultas não se limitam aos escritórios da Lighthouse Financial, Inc., a firma administradora de hipotecas que ela possui no sul da Califórnia. Tyler-Pires passou a última véspera de Natal em sua sala de estar com uma cliente. "Passamos quatro horas orando e tentando imaginar uma saída".
A ênfase de Tyler-Pires em edificar relacionamentos com seus clientes tem aumentado as referências de clientes, mas um aumento de tais clientes somente não equivale a lucros, ela diz. Um número reduzido de pessoal ajuda a manter os custos operacionais limitados, mas Tyler-Pires ainda está preocupada com seu negócio. "Como eu sobrevivo? Todo dia tenho sido mais dependente do Senhor".
Audrey Balderstone, presidente da seção da Associação de Empresários Adventistas no Reino Unido, declara que uma "reviravolta de declínio" em sua companhia de jardinagem, conquanto preocupante, é também uma oportunidade para confiar em Deus. "Ele nunca nos desamparou antes", ela diz.
Na Jamaica, o vice-presidente da Associação de Empresários Adventistas, Marston Thomas, diz que a recessão está sobrecarregando os negócios de propriedade de adventistas, com alguns enfrentando até 50 por cento de redução de atividades em meses recentes.
Há pouco tempo, cerca de 200 empresários adventistas locais assistiram a seminários realizados pela Associação de Empresários Adventistas no Leste da Jamaica, onde banqueiros locais e comerciantes apresentaram sugestões de como enfrentar a tempestade econômica, disse Thomas. Em resultado disso ele organizou um grupo que pesquisará atividades à prova de recessão para membros da Igreja que estejam considerando iniciar negócios. "Com a ajuda de Deus estão esperando que [essas medidas] nos dê o suporte para avançar".

25 Mar 2009,
Silver Spring, Maryland, United States - ANN Staff
Fonte: Rede Adventista de Notícias
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